Professor de inglês particular online
Método de ensino
Nesta seção, apresentarei os princípios teóricos e metodológicos que orientam minha prática docente. Primeiramente, explicarei os elementos básicos da Teoria Sociocultural de Lev Vygotsky (1896-1934) e da "Hipótese do Output" de Merrill Swain (1944-). Juntas, essas construções teóricas enfatizam a necessidade do diálogo e da participação ativa do(a) aluno(a) no processo de aprendizagem. Em seguida, discutirei o controverso tema da gramática e, por fim, a importância de se escolher temas que sejam relevantes para a realidade do(a) aluno(a).
O diálogo como elemento central
Sem dúvida, o principal elemento das aulas é a interação dialógica entre professor e aluno(a). Essa opção didática se baseia na teoria do psicólogo bielo-russo Lev Vygostsky (1896-1934), cuja obra, embora dedicada originalmente à aprendizagem e desenvolvimento infantis, contém importantes lições para a educação de adultos. Basicamente, segundo Vygostsky, a aprendizagem é um processo que se desenrola de forma socializada, a partir da interação entre os (as) aprendizes e alguém que domine o conteúdo que eles ou elas desejam aprender. É através dessa interação entre estudante e pessoas mais experientes que conseguimos construir e internalizar conhecimentos que, posteriormente, poderemos acessar e utilizar de forma independente. Em termos mais técnicos, "a aprendizagem bem-sucedida envolve uma transição da atividade inter-mental colaborativa para a atividade intra-mental autônoma." (MITCHELL; MYLES, 2004, p. 195, tradução minha).
O diálogo é, portanto, a peça central da teoria vygotskyana para a construção do conhecimento. Isso, no entanto, não nos deve levar à errônea ideia de que a aula é apenas um bate-papo, uma sessão de conversação livre e informal. A interação necessária para que a aprendizagem aconteça é uma interação planejada, sistemática e bem organizada. Ela exige do(a) professor(a) as seguintes atribuições:
- Escolher temas que sejam relevantes para a vida pessoal/profissional do(a) aluno(a) adulto(a);
- Definir os objetivos linguísticos a serem alcançados (p. ex. um determinado tema gramatical);
- Preparar atividades comunicativas adequadas ao atual nível de conhecimento linguístico do(a) estudante, de modo que ele (ela) seja desafiado na medida certa de suas possibilidades;
- Propor diálogos que permitam ao (à) aluno(a) utilizar o novo conteúdo trabalhado e, assim, avançar gradativamente em seu nível de proficiência;
- Ouvir atentamente ao (à) estudante e, nos momentos certos, trabalhar conjuntamente em correções e melhorias individuais, sejam elas relativas a gramática, vocabulário ou pronúncia;
- Verificar a apropriação pelo(a) aluno(a) do conteúdo trabalhado e a eventual necessidade de revisá-lo.
Todas as atribuições acima fazem parte do meu dia-a-dia e orientam minha forma de atuar com cada aluno(a).
"Hipótese do Output": aprender a falar... falando!
Além da Teoria Sociocultural de Lev Vygostsky (1896-1934), discutida acima, meu trabalho é orientado pela chamada "Hipótese do Output", da linguista canadense Merrill Swain (1944-). A palavra "output" pode ser traduzida como produção, e o que a Hipótese do Output propõe é que a aprendizagem de outra língua é potencializada quando tentamos produzi-la, seja falando ou escrevendo (SWAIN, 1995). Embora o "input" (o insumo linguístico que recebemos por meio da leitura e da escuta) também seja peça essencial para a aquisição da língua estrangeira, o ato de falar e/ou escrever nos força a dominar as estruturas do idioma e a entender mais profundamente como ele funciona. Ao produzirmos a língua, acontecem dois fenômenos muito interessantes.
O primeiro é que percebemos as lacunas do nosso conhecimento. Arrisco-me a dizer que todo(a) estudante de língua estrangeira já vivenciou a situação de estar no meio de uma conversa e não conseguir se expressar da maneira como gostaria, seja por falta de alguma estrutura gramatical, vocabulário ou mesmo incerteza em relação à pronúncia de alguma palavra. Esses limites do conhecimento, uma vez identificados quando tentamos nos comunicar, tornam-se objeto de estudo para que possamos avançar gradativamente.
Outro fenômeno que ocorre durante a produção de linguagem é a formulação e o teste de hipóteses sobre o funcionamento do idioma. Um bom exemplo disso é a criação de novas palavras. Suponha que alguém precise dizer a palavra "imaginação" numa conversa, mas não tenha certeza sobre como ela é em inglês. Tendo aprendido outros substantivos terminados em -ation (information, education, organization, etc.), essa pessoa será tentada a inferir que "imaginação" seja imagination. Ela dirá imagination e, com base na reação e resposta dos interlocutores, poderá verificar se sua hipótese estava certa ou não (sim, ela estaria correta). Esse é um exemplo simples, mas que ilustra bem o fato de que, durante a produção de linguagem, nós testamos diversas hipóteses sobre o funcionamento do idioma, confirmando algumas e descartando outras. Por meio desse processo quase científico, vamos montando as peças desse quebra-cabeça que é a língua estrangeira.
Uma terceira função do "output", segundo Merrill Swain (1995), é a possibilidade de falarmos sobre a própria língua. Através do diálogo conseguimos discutir porque se deve utilizar determinada estrutura, qual o melhor termo para um certo contexto, a pronúncia correta de uma certa palavra, e muito mais. Ou seja: a interação também pode ser um momento em que paramos e focamos nosso olhar sobre o idioma, de modo que possamos analisá-lo, entendê-lo melhor em seu funcionamento e, posteriormente, utilizá-lo com mais propriedade e confiança.
Tenho que aprender gramática?
A gramática é, possivelmente, o tema mais controverso no ensino de inglês. Sabendo da má fama que ela carrega, nenhuma escola divulga seus serviços dizendo coisas como "Domine a gramática do inglês!". Existe, na verdade, uma percepção de que a gramática é inimiga do objetivo principal dos(as) estudantes: a conversação. Para esse pensamento, a gramática seria algo tedioso, difícil e, principalmente, inútil, pois ela não contribuiria para o desenvolvimento da proficiência oral. A partir disso, argumenta-se que o ensino de inglês deveria acontecer da mesma forma como as crianças aprendem sua primeira língua. Ora, já que as crianças tornam-se fluentes no idioma sem a necessidade de estudar gramática, por que razão os adultos deveriam estudá-la? Esse pensamento levou ao surgimento, ao longo dos últimos 200 anos, de diferentes métodos "naturais" de ensino, assim chamados por terem o objetivo declarado de ensinar inglês da mesma forma espontânea como as crianças adquirem linguagem. Autores como C. Marcel (1793-1896), T. Prendergast (1806-1886) e F. Gouin (1831-1896) foram os primeiros a prestarem atenção à aquisição de linguagem pelas crianças e a tentarem emular esse processo no ensino de línguas estrangeiras (RICHARDS; RODGERS, 2001, p. 7-9).
No entanto, a psicologia e a ciência linguística vem demonstrando ao longo das últimas décadas que crianças e adultos (ou qualquer pessoa que já tenha passado da puberdade) aprendem idiomas de maneiras diferentes. Por razões biológicas, relacionadas ao amadurecimento do cérebro, adultos não conseguem aprender uma língua da forma inconsciente e automática que caracteriza a aprendizagem das crianças. Para jovens pós-púberes e adultos, a aquisição de uma língua estrangeira exige atenção consciente às estruturas gramaticais do idioma (DEKEYSER, 2003, p. 335).
Isso não quer dizer, no entanto, que a aula deva ser tediosa, com longos exercícios de gramática e pouca conversação. Com base na Teoria Sociocultural e na Hipótese do Output descritas acima, aprendemos gramática para conseguirmos falar, e, ao dialogarmos, melhoramos nossa compreensão das estruturas do idioma. Portanto, para esse referencial teórico, gramática e conversação não são inimigos mortais, mas sim dois fatores que colaboram um com o outro para o desenvolvimento da proficiência.
Para ilustrar esse processo, vou dar um exemplo simples. Digamos que você queira contar a alguém sobre uma viagem que fez recentemente. Como fará isso? Será necessário aprender o past simple (pretérito simples). Isso inclui os verbos regulares (aqueles que, no tempo passado, terminam com -ED: played, travelled, studied etc.) e os irregulares (went, took, felt etc.). Também é necessário aprender a utilizar did em frases negativas ou perguntas (I didn't go to the beach, Did you see the Pyramids?). Por meio da interação e do diálogo, você terá a chance de praticar e internalizar essas regras ao falar sobre suas próprias experiências passadas. Portanto, não se trata de aprender regras gramaticais inúteis, mas sim aquelas necessárias para você conseguir se expressar de formas cada vez mais avançadas em inglês.
Que temas são discutidos em aula?
O mais importante para o desenvolvimento do speaking é que os temas abordados sejam do interesse e conhecimento do(a) estudante. Isso é evidente: quanto mais bagagem você tiver em relação a determinado tema, mais terá a dizer sobre ele, independentemente do idioma. Por outro lado, se um tema não lhe interessa ou se você não sabe nada sobre ele, torna-se virtualmente impossível trabalhar o speaking.
É claro que muitos dos temas abordados não exigem conhecimento especializado. Por exemplo, podemos discutir amizades, vida na cidade grande, hobbies etc. Porém, além desses tópicos de interesse geral, eu tenho por objetivo construir as aulas a partir dos interesses específicos dos(as) alunos(as). Se, por exemplo, você for um apaixonado por fazer trilhas e praticar esportes como mergulho, eu buscarei textos e prepararei discussões sobre esses temas. Além disso, utilizarei esses temas para explicar aspectos relevantes de gramática, tornando essa parte da aprendizagem mais fácil e significativa.
A área profissional do(a) estudante também é uma fonte inesgotável de temas para discussão. Ao utilizá-la em aula, garantimos os dois elementos básicos para trabalhar speaking: interesse no tema e conhecimento prévio. Por exemplo, se você atua no mundo empresarial, terá muito a dizer sobre negócios, empresas bem e mal sucedidas, gestão de pessoas e inúmeros outros tópicos. Trabalharemos o vocabulário especializado da área, de modo que você consiga se expressar de forma cada vez mais avançada, próxima à de um falante nativo. Este tipo de aula é conhecido como inglês profissional, instrumental ou English for Specific Purposes. As aulas de inglês médico e de Business English que eu ofereço são bons exemplos desse formato de ensino, mas, mesmo que você não atue nessas áreas, as aulas sempre incluem discussões e vocabulário específicos do seu campo profissional, seja ele qual for. Afinal, meu objetivo é oferecer aulas motivantes e relevantes para a realidade de cada aprendiz.
REFERÊNCIAS
DEKEYSER, Robert. Implicit and explicit learning. In: DOUGHTY, Catherine; LONG, Michael (org.). The handbook of second language acquisition. Oxford: Blackwell, 2003. p. 313–348.
MITCHELL, Rosamond; MYLES, Florence. Second language learning theories. 2. ed. London: Hodder Arnold, 2004.
RICHARDS, Jack C.; RODGERS, Theodore S. Approaches and methods in language teaching. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.
SWAIN, Merrill. Three functions of output in second language learning. In: COOK, Guy; SEIDLHOFER, Barbara (org.). Principle and practice in applied linguistics: studies in honour of H. G. Widdowson. Oxford: Oxford University Press, 1995. p. 125–144.
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